segunda-feira, 14 de julho de 2008

Como Resistir Mais



Dizem as melhores práticas de gestão e estratégias de marketing moderno nacional e internacional que custa muito mais (dinheiro, imagem, credibilidade, reputação... o que quiserem) perder um “Cliente” do que conquistar um novo.
Um bom sistema de CRM (Customer Relationship Management) pretende diminuir este “custo”, ajudando as empresas a manter um bom relacionamento com os seus clientes, gerindo de forma inteligente informações sobre as suas interactividades com a empresa.

O actual Senhor Primeiro Ministro da República Portuguesa, adepto fervoroso das novas tecnologias, das novas oportunidades e do jogging, até nem é parvo, e vai de adoptar um sistema CRM para a recta final deste seu primeiro mandato. E uma adaptação muito específica, pois teve um início bem definido (um pouco antes da altura em que Manuela Ferreira Leite assumiu o comando do PSD) e tem um fim à vista (próximas eleições legislativas). Não será com certeza Manuela Ferreira Leite a derrotar o PS nas próximas eleições legislativas, mas será com toda a certeza o marketing credível de Manuela Ferreira Leite (eventualmente apoiada por alguns notáveis de outras forças politicas) que irá obrigar o actual Governo de maioria PS a rever a sua estratégia de governar em cima do joelho, pois terão um segundo mandato onde serão obrigados a ser mais humildes e sérios.

Os processos e sistemas de gestão de relacionamento com o “cliente” adoptados pelo Governo tiveram um “teeser” absolutamente inovador: a taxa geral do IVA iria baixar para 20%, com efeitos práticos a partir do dia 1 de Julho de 2008 – brilhante! Seguiram-se iniciativas como a Proposta de Lei que aprova medidas fiscais anti cíclicas, alterando o Código do IRS, o Código do IMI e o Estatuto dos Benefícios Fiscais, o enaltecimento do “sucesso” nos exames de matemática do 9º ano e a revisão do Código de Trabalho, entre outras igualmente sonantes.

Agora esta “parceria” entre o Governo e uma construtora automóvel, no âmbito da comercialização de uma viatura movida unicamente a energia eléctrica, leva-me a concordar com Carlos Medina Ribeiro que, no Sorumbático, faz referência à absurda medida de aplicar um “desconto” de 70% no imposto automóvel, pagando apenas 30% do mesmo. Mas qual mesmo? Mas qual imposto? Os veículos exclusivamente eléctricos estão isento do mesmo... do imposto (como se pode constatar no referido post).
É sem dúvida uma forma de fazer marketing sobre uma “não medida”.
O que me preocupa é, quantas mais “campanhas” de marketing estarão a ser utilizadas para publicitar “não medidas”, tentando manter de uma forma absurda o relacionamento com os seus “Clientes”... nós cidadãos.
É caso para dizer que, para este Governo, CRM significa Como Resistir Mais.

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